
O prontuário reúne informações produzidas ao longo do atendimento de saúde. Ele permite acompanhar a evolução do paciente, comunicar condutas entre profissionais e compreender quais decisões foram tomadas em cada etapa do cuidado.
Além de sua importância clínica, o documento pode ser relevante para esclarecer dúvidas e reconstruir os fatos em uma avaliação jurídica.
O que pode constar no prontuário?
A composição varia conforme o tipo de atendimento, mas normalmente pode incluir:
- identificação do paciente e histórico clínico;
- anamnese, hipóteses diagnósticas e evolução;
- prescrições, solicitações e resultados de exames;
- relatórios cirúrgicos e anestésicos;
- termos de consentimento e registros de orientação;
- intercorrências, encaminhamentos e sumário de alta;
- identificação dos profissionais responsáveis pelos registros.
Mensagens pessoais, fotografias avulsas e comprovantes de pagamento não substituem o prontuário, mas podem complementar a compreensão do caso.
O paciente pode acessar o documento?
O Estatuto dos Direitos do Paciente, instituído pela Lei nº 15.378/2026, assegura acesso ao prontuário sem necessidade de justificativa, obtenção de cópia sem ônus, possibilidade de solicitar retificação e manutenção segura do documento. O acesso deve respeitar regras de identificação, representação e proteção de dados.
O Código de Ética Médica também veda ao médico negar ao paciente ou a seu representante legal acesso e cópia do prontuário, ressalvadas situações específicas previstas nas normas aplicáveis.
Como fazer uma solicitação organizada?
- Identifique o paciente, o período e a unidade em que ocorreu o atendimento.
- Peça uma cópia completa, e não apenas um resumo, quando precisar compreender toda a evolução.
- Inclua exames, termos, prescrições, relatórios e registros de enfermagem que façam parte do atendimento.
- Use o canal oficial da clínica, hospital ou profissional e guarde o protocolo.
- Ao receber os arquivos, preserve a versão original e faça uma cópia de segurança.
Quando a solicitação for feita por representante, podem ser exigidos documentos que comprovem a autorização ou a representação legal.
Por que integridade e confidencialidade importam?
A Lei nº 13.787/2018 determina que a digitalização e o armazenamento assegurem integridade, autenticidade e confidencialidade. Esses cuidados protegem dados sensíveis de saúde e ajudam a conservar a confiabilidade dos registros.
Por essa razão, não é recomendável editar, recortar ou sobrescrever o arquivo original recebido. Para compartilhar a documentação com profissionais de saúde ou advogados, utilize meios seguros e limite o acesso às pessoas necessárias.
E se houver informação ausente ou difícil de compreender?
Ausência, ilegibilidade ou divergência de registros precisa ser analisada dentro do conjunto documental. Isso não permite, isoladamente, concluir que houve erro. Anote a dúvida, preserve o material recebido e solicite esclarecimentos ou orientação profissional.
Em uma avaliação jurídica, o prontuário costuma ser examinado em conjunto com exames, contratos, comunicações, recibos, fotografias e, quando necessário, elementos técnicos adicionais.
Fontes oficiais para consulta
- Estatuto dos Direitos do Paciente — Presidência da República
- Lei nº 13.787/2018 — Presidência da República
- Código de Ética Médica — Conselho Federal de Medicina
Importante: este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa. A existência de responsabilidade jurídica depende da análise individual dos fatos, documentos, normas aplicáveis e provas disponíveis.


